segunda-feira, 2 de junho de 2008

Violência no trânsito

Em 2006, eu ajudei a ciceronear dois profissionais da companhia de saneamento de Cochabamba, a SEMAPA (Servicio Municipal de Agua Potable y Alcantarillado).

Saí de amanhã cedo e fui ao hotel em que eles estavam hospedados, em companhia de outro colega brasileiro. Encontramos com os dois no saguão do hotel e nos dirigimos ao carro.

Depois de verificar que estavam corretamente acomodados, coloquei meu cinto de segurança e sai dirigindo normalmente. Depois de alguns minutos, já trafegando pela Marginal Pinheiros, percebi que eles estavam irriquietos e sussurando entre eles.

Achei estranho e falei com meu colega brasileiro, se ele estava percebendo algum problema com eles. Ele olhou para trás e resolveu perguntar se eles precisavam de alguma coisa.

Finalmente eles sorriram e perguntaram se os carros brasileiros saíam de fábrica sem buzina. Como eu não conhece Cochabamba, eu não entendi a pergunta, mas meu colega caiu na gargalhada e começou a apertar a buzina do carro, incomodando todos os outros veículos a nossa volta.

Foi neste momento que eu entendi a pergunta. Em Cochabamba o trânsito é uma loucura e os motoristas digirem buzinando o tempo todo.

Neste momento, eu senti uma ponta de orgulho da civilidade do trânsito paulista e brasileiro. Um dos raros momentos em que realmente senti orgulho por ser brasileiro.

Esta semana, com as notícias que vem aparecendo no noticiário, eu percebo que as coisas já não são mais assim. Nos últimos meses, tivemos 3 casos de pessoas desequlibradas andando na contramão, além de outros casos de matança e pancadaria no trânsito.

Uma parte disto pode ser creditada aos congestionamentos cada vez maiores e a crescente sensação de impunidade, consequencia da falta de planejamento e da ineficiência das instutuições brasileiras.

O resultado é, mesmo com o tão comentado avanço na macroeconomia, ainda vivemos em um pais de bárbaros. Eu já dei risada do trânsito dos bolivianos, mas agora vejo que não estamos melhor do que eles.

Minha última tristeza vai ser confirmar que o nosso presidente também é igual ao deles...
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