segunda-feira, 23 de junho de 2008

Aluno gasparzinho

Durante toda a minha vida, acadêmica ou não, nunca me imaginei como professor. Sempre achei que, se um dia conseguisse me formar, iria pegar o canudo e correr para fora para fora da faculdade para nunca mais voltar.

Vai que, passando na frente da faculdade, alguém da secretaria saia correndo e gritando que eu ainda estou devendo cálculo III ou física IV, como um filme de terror.

Minha queria avó sempre me alertou para tomar cuidado com nossos atos, pois a vida sempre dá voltas. Ela tinha razão porque atualmente eu dou algumas aulinhas por semana e até sinto um leve prazer mazoquista com isto.

Mazoquista porque me divirto, semestre após semestre, escutando as mesmas desculpas e sempre. A choradeira porque a lição de casa é muito extensa ou o trabalho estava feito, mas foi estraçalhado pelo cão na hora de sair para faculdade, etc. Mudam os alunos, mas as histórias são sempre as mesmas.

Depois de cinco anos eu ainda aprendo coisas novas e o aprendizado deste semestre foi conseguir definir um tipo novo de aluno: "Gasparzinho".

Esta estirpe de aluno não aparece durante o semestre inteiro. No máximo, surge rapidamente para responder a chamada e desaparece como fumaça no ar.

Um dia antes do exame, ele resolve aparecer para tentar fazer amizade, tornando-se um legítimo "fantasminha camarada".
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