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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Felicidade em uma pizza

Faz um tempo que não posto nenhuma viajada na maionese, mas não consegui ficar sem escrever sobre a cena que vi.

Estava voltando do trabalho e já era quase meia-noite quando vi alguns vultos andando pela calçada. 

É um chavão, mas estranhamente consegui ver seus rostos quando passei por eles e identificar os sorrisos alegres. Era um homem carregando uma pizza com três crianças em volta, marchando de volta para casa. 

Se ricos ou pobres, não me importa. O que me importa é a lembrança da cena de felicidade que tive a sorte de compartilhar por alguns segundos. De vez em quando relembro destes sorrisos e sorrio também.

Procuramos a felicidade em bens materiais caros, em conversas que nunca ocorrem, em muitas coisas complicadas, mas nestes momentos me pergunto se a felicidade não está nas coisas simples da vida. Será que ela não está atrás de um "bom dia", de um sorriso, escondida em um abraço sincero ou até mesmo em um pedaço de pizza compartilhado com os filhos.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Garantindo o meio ponto que falta para passar

A vida de quem dá aulas garante muita saia justa, risadas e estressadas que, no final, acabam compensando. Lembrei de um aluno que ficou devendo uma dependência, também conhecida como DP, e foi o único que apareceu no primeiro dia de aula.

Aproveitando que estávamos a sós, ele começou a chorar nota e queria garantir o famoso "meio ponto" no final do semestre, caso fosse necessário. Tentei argumentar que o primeiro dia de aula não é o dia mais indicado para chorar nota. Ainda para uma situação hipotética que só aconteceria em alguns meses.

Apesar da fase de negociações, ele continuou insistindo para eu passar algum trabalho que garantisse este maledetto meio ponto, em caso de necessidade, no fim do semestre. Para acabar logo com a discussão, propus que ele copiasse todo o livro texto e, para minha surpresa, ele aceitou prontamente.

Eu não acreditei e, para fazer a ficha dele cair, pedi que ele fosse à papelaria e comprasse o caderno universitário com a maior quantidade de folhas que ele encontrasse. Não acreditei quando ele saiu da sala e voltou com o caderno tinindo de novo.

Tentei, mais uma vez, mostrar a insanidade do que ele estava propondo e pedi para ele numerar as 100 primeiras folhas para não existir a possibilidade de ele arrancar nada durante o semestre. Ele se preparou e numerou ferozmente as cem primeiras folhas do caderno.

Vendo que ele não desistiria do trabalho, pedi para ele copiar as três primeiras filhas do capítulo 1 para eu usar de controle da letra dele e evitar outras pessoas pudessem ajudar. Ele nem piscou para começar a copiar o texto.

Ao final da aula, vistei as folhas que ele havia manuscrito e combinei que vistaria o caderno toda semana para poder acompanhar a evolução do trabalho que valia um possível meio ponto.
Eu não conseguia acreditar quando ele me apresentava sua evolução semanal para eu vistar, naquele ritual insano de verificar se ele havia copiado o livro sem pular páginas.

Com esta cópia insana ele acabou estudando, ficou com média final 9.5 e não precisou do meio ponto para passar. Até estranhei que ele veio me agradecer e não pediu o meio ponto para fechar com média 10. Espero que ele tenha aprendido a estudar.

sábado, 26 de julho de 2008

Portas de banheiros públicos

Isto aconteceu logo que eu comecei a freqüentar um novo clube. Estava na lanchonete, fazendo novas amizades, quando a natureza me chamou e me fez lembrar que sou um mero mortal e tenho que satisfazer algumas necessidades básicas para sobreviver.

Perguntei a garçonete onde ficava o banheiro e ela me indicou educadamente. Fui à direção indicada e encontrei a porta com um "M". Entrei, fechei a porta e me deparei com três vasos sanitários e suas tampas, imaculadamente brancas, abaixadas.

Chego a me surpreender com a minha própria capacidade. Para quem sempre teve dificuldades para fazer contas de cabeça, meu cérebro processou aquela cena com um desempenho digno dos personagens do seriado CSI (Crime Scene Investigation). Em trinta e poucos anos de vida, eu nunca havia visto uma cena como aquela. Um banheiro público masculino nunca poderia ter três vasos com tampas abaixadas, simultaneamente!

Dei meia volta, torcendo para não ter muita gente do lado de fora, e saí daquele banheiro. Olhei novamente a porta e verifiquei que realmente existia um "M" colado na porta. Procurei a outra porta e vi que tinha um "H".

Caracas... O "M" era de "mulher" e não de "masculino"...

Porque não normalizam este tipo de coisa? Cada lugar é de um jeito. Alguns usam (F)eminino e (M)asculino, outros (M)ulher e (H)omem e, finalmente, "Ela" e "Ele".

Na hora do desespero é difícil analisar qual é a convenção que está sendo adotada.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O sonho brasileiro

Eu estava pensando em escrever um roteiro para enviar a Hollywood. Seria mais uma história sobre trabalho, determinação e, finalmente, o sucesso.

O meu personagem não começaria tão por baixo, mas seria um representante da classe média alta baiana. Com dezessete anos já tinha iniciado sua vida empresarial e também transitava pelo mundo do mercado de ações.

Continuou sua vida de empreendedor, formando-se em engenharia. Depois engatou uma pós no renomado MIT (Massachusetts Institute of Technology) e iniciou uma longa convivência com personagens poderosos do mundo econômico, financeiro e político do Brasil.

Com um patrimônio pessoal de trezentos milhões de reais, seu nome entraria pela porta da frente na história empresarial brasileira, participando de grandes negociações no mundo das telecomunicações, reforçando a sua imagem de empresário moderno e de sucesso.

Uma pena para o Brasil descobrir que o final não foi tão bonito. Esta história culmina com outro recorde, o de ser preso duas vezes em menos de 48 horas. Descobrimos que seu sucesso foi construído através de amizades perigosas e corrupção. O nome deste personagem é Daniel Dantas.

Mais uma vez descobrimos que o "sonho brasileiro" nunca é construído apenas pelo trabalho, perseverança e honestidade. Fica a impressão de que o sucesso só vem com falcatruas e corrupção.

No Brasil, o sucesso honesto só existe para jogadores de futebol, dançarinas de rebolados e outros artistas?

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Escutei esta conversa sem querer

Consequências do apagão da net...

Uma conversa que eu escutei ontem e escrevo com nomes ficticios...

"João":
- Chefe, hoje eu posso ir mais cedo porque não tenho mais nada para fazer?

"Chefe":
- Você já acabou todas as suas pendências????

"João":
- Não. É que hoje a Internet não está funcionado e ai eu fico sem nada para fazer...

"Chefe":
- Mas as suas funções não dependem da net!!!

"João":
- Errrrr.... hannn.... urrrrr.......

Conclusão: Agora sim, o "João" precisa da Internet... para procurar emprego...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Vantagens de ser mulher...

Mais um dia comum, sem nada de especial. Chego a frente ao escritório e vejo que o marcador está marcando baixo nível bicombustível de cana, que causa menos fome no mundo do que o de milho.

Vejo que os frentistas estão ocupados e aguardo pacientemente. Logo em seguida, um carro encosta do outro lado da bomba em que eu aguardo ser atendido e, de dentro, sai uma mulher muito atraente e muito bem vestida.

Um dos frentistas, velho conhecido meu, termina afobadamente o atendimento que estava fazendo e segue correndo para atender a moça. Encaro o homem com meu caprichado olhar de reprovação, mas ele dá de ombros, tentando justificar que "aquele avião" tem prioridade.

Observo para ver se ela dá o telefone para o frentista ou, pelo menos, uns trocados e constato que o coitado fica sem nenhum dos dois.

Percebo algumas injustiças deste mundo. Procuro ser bem atendido pagando gorjetas de dois reais. Para ela ter um atendimento ainda melhor, basta ser mulher...

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Já recebi mensagens me cobrando se eu dava razão ao frentista ou não. Confesso que ele está certo e a conclusão é: "Não adianta dar gorjetas e é melhor economizar meus dois reais"

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Assombrações no trânsito

Infelizmente, a foto tirada de celular não consegue mostrar a aberração que andou na minha frente, durante uns quinze minutos de terror.

Eu não tenho preconceito nenhum contra carros velhos, mas este golzinho quadrado estava sem lanternas e sem luz de freio. A falta de lanterna até que não me incomodou porque, conforme manda a lei, eu estava andando com os faróis acessos.

Mas a falta de luz de freio preocupava, me obrigando a manter uma distância entre veículos maior do que o habitual. Pior que a minha atitude irritava o motorista do carro que vinha atrás, provavelmente imaginando que eu era o Mr. Magoo, dirigindo com excessiva cautela.

Se os problemas deste carro parassem por ai, tudo bem, mas o pior de tudo era a fumaça preta que ele soltava a cada acelerada. Me senti no meio daquele desenho animado "Corrida Maluca", onde o Dick Vigarista soltava uma cortina de fumaça para despistar seus adversários.

A fumaça deste gol não chegava a atrapalhar a minha visão, mas deixava um cheiro horrível para trás. Eu estava numa posição privilegiada, com a visão de um carro todo amassado na minha frente, sem lanterna, sem luz de freio e, para completar a desgraça, deixando um perfume de bota queimada para trás.

Dá para ser feliz no trânsito de São Paulo?

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Padoca Office

Me rendi a tentação de almoçar junkie food de vez em quando. A culpa deste meu novo mau hábito são estas padarias modernas que andam pipocando pela cidade de São Paulo.

Aqui no Brooklin abriu uma chamada "Orquídea - Pérola" onde trabalha o meu mais novo amigo China, o chapeiro. Os sanduíches de rosbife ou de picanha defumada, reforçadas com maionese de ervas são verdadeiros espetáculos de sabor e colesterol, mas eu não tenho conseguido resistir.

Hoje acabei esquecendo de sair para almoçar e acabei indo lá para fazer um lanchinho. Reparei que os frequentadores tem um perfil diferente dos que aparecem perto meio-dia. Percebi que existem muitos frequentadores que estavam utilizando a padaria como escritório temporário, ligando seus notebooks e fazendo ligações telefônicas.

Existia até uma dupla fazendo reunião entre seus sanduíches e olhando a tela do computador portátil.

Arrisco o palpite de que parte deste novo comportamente se deve ao trânsito caótico da cidade, onde já não vale mais a pena tentar voltar ao escritório, depois de uma reunião externa. Junte-se a isto a queda de preços dos notebooks e as facilidades de aquisição e financiamento.

Pelo jeito, esta nova forma de trabalhar vai acabar afastando os tradicionais jogadores de sinuca e outras figuras folclóricas de nossas padarias e, em breve, todas elas devem estar oferecendo serviços de Internet sem fio.

"Eppur si muove!"