Confesso que tenho a mania de observar as pessoas que compõem a minha paisagem urbana. Gosto de tentar imaginar como deve ser a vida do vendedor de bilhetes de loteria, do "consertador de guarda-chuvas", do vendedor de zona azul, etc.
Nos ultimos tempos eu estava acompanhando um casal de recicladores. Apesar de morar na rua, sempre estavam juntos e sorrindo. Não costumavam pedir esmolas e, quando trabalhavam, viviam de coletar papéis e pedaços de papelão.
Sempre admirei esta dupla. Um casal que literalmente vivia de vento e amor.
Hoje eu estava voltando do almoço e vi que o rapaz estava sozinho. Ele conversava com uma senhora comum e estava lamentando que a sua "baixinha" o havia largado por não aguentar mais viver nas ruas. Nas suas palavras "pintou uma brecha" e ela "abraçou".
Resultado, ele estava sozinho e largado. E eu perdi minhas esperanças de ser testemunha do amor sem interesse.
"E pur si muove"